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A marcha do Trabalhador e Trabalhadora Rural no 25 de julho em Sergipe

O dia 25 de julho, Dia do Trabalhador e Trabalhadora Rural e Dia Internacional da Agricultura Familiar, foi histórico em Sergipe. Uma multidão de assentados, camponeses, quilombolas, sindicalistas, militantes, reunidos desde às oito (8) horas da manhã, na Praça da Bandeira, percorreu ruas e avenidas de Aracaju marchando embaixo de chuva, sol, muita luta e um “Plano Estadual de Agricultura Camponesa, Familiar e Pela Reforma Agrária”.

A marcha ficou dois (2) anos sem acontecer por causa da pandemia de Covid-19, este ano, o ato foi marcado pelo projeto construído por organizações e trabalhadores agrários, o “Plano Estadual de Agricultura Camponesa, Familiar e Pela Reforma Agrária”.

Jorge Rabanal, da Rede Sergipana de Agroecologia, explica a construção do projeto. “A gente participou da construção do plano numa ação com vários movimentos. Foi importante esse processo, trouxe o trabalhador do campo para dialogar com a turma da cidade. A gente tem uma lei estadual de agroecologia que, coincidentemente, é iniciativa do deputado João Daniel, quando ele era deputado estadual e, a gente resgatou esse documento. Cobramos a assinatura do decreto de lei, construímos o arcabouço legislativo do plano, o governo nomeou uma comissão estadual de agroecologia e produção orgânica. Tudo isso com lei, mas que não se transformou em prática. Não tem orçamento, não tem vinculação com nenhum órgão do Governo do Estado, então, trazer essa pauta pra rua é importante pra dizer que se tiver vontade política e quiser fazer, a gente já tem construído um modelo legal pra fazer isso”, disse Rabanal.

O Felipe Caetano, que faz parte da direção nacional do Movimento Camponês Popular (MCP), falou da caminhada dos trabalhadores até o Palácio Governador Augusto Franco. “Nós estamos aqui, um dia histórico de marchas dos movimentos do campo, pra mostrar a força e a importância do campesinato na produção de alimentos, mas também cobrar do Governo do Estado ações pra fortalecer a agricultura camponesa. Infelizmente, o Estado, fez muito pouco, pra não dizer quase nada, pela agricultura camponesa nesses últimos anos e nós estamos aqui pra batalhar por ações, mas também pra apresentar nosso plano de agricultura camponesa, para as organizações da cidade e pros pré-candidatos que estão aqui hoje. João Daniel, companheiro histórico dos movimentos do campo tem feito um importante trabalho lá em Brasília na defesa dos direitos dos trabalhadores do campo e da cidade”.

Felipe falou também da pré-candidatura de João Daniel à reeleição. “Nós precisamos manter ele como deputado federal, muito importante para toda esquerda sergipana e para os movimentos sociais de todo o Brasil. Estamos dispostos a fazer uma caminhada e lutar pra reelege-lo como deputado e representante do nosso povo”, completou o militante.

O Zé Roberto, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), reforçou a fala do Felipe Caetano. “Estamos aqui hoje iniciando uma grande marcha em defesa de um plano para agricultura camponesa e reforma agrária no estado de Sergipe. Vamos no Palácio do Governo pra dizer ao governador que ele não fez nada pela agricultura e pela reforma agrária em Sergipe. Esse plano é muito importante para a transformação da agricultura sergipana. Acreditamos no papel que o companheiro João Daniel assumiu no Congresso Nacional. A nossa expectativa é reconduzi-lo para a assembleia federal, até mesmo porque entendemos que é um pé na luta e um pé no parlamento. Vamos mudar a história de Sergipe”, disse Zé Roberto.

Gielsa Correia, da coordenação estadual do Movimento Organizado dos Trabalhadores Urbanos (MOTU) lembrou da luta de João Daniel pelo trabalhador do campo e dos assentados. “Sou de uma comunidade que pratica agricultura familiar e sustentabilidade, onde o companheiro João Daniel foi quem teve dando apoio desde 2014, quando sofremos grave violação de direitos humanos por parte da própria justiça. Ele fez representação em Brasília, foi atrás do Ministério Público, cumpriu o papel do bom parlamentar, da pessoa comprometida com o povo e pela luta do povo, foi eleito para isso. Ele fez várias intervenções, inclusive audiência pública na Alese e hoje nós conseguimos federalizar a causa. Nós temos posse da terra concedida pela Justiça Federal aqui em Sergipe, mas continuamos aguardando que a lei seja cumprida. Que o Artigo 184 da Constituição Brasileira relacionada à reforma agrária se cumpra e que todos sejamos regularizados e, principalmente, que seja revertida a situação que nos sentenciaram, de miseráveis, de viver em barracos. A gente quer nossas casas com dignidade, a gente quer nossa terra pra plantar e sobreviver e ter comida não só para nós, mas para os que estão ao nosso redor também. Acredito que só assim o país pode sair do mapa da fome. E, junto dos que estiverem lá no poder eleito pelo povo, pra representar o povo, assim como nosso companheiro João Daniel”. Gielsa faz questão de dizer que mora no Acampamento Resistência da Cabrita, em São Cristóvão.

Rafaela Alves, da direção nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), falou da perseverança histórica dos camponeses. “Nós entendemos camponeses como sujeito que vive no campo e cumpre historicamente a tarefa de produzir alimento pra toda sociedade. Nós acreditamos que o povo do campo precisa entrar de fato no orçamento público. Ao longo da história fomos colocados a margem desse processo, é tanto que não conseguem secretário de Estado da Agricultura que cumpra de fato uma tarefa importante para nós”. Segundo Rafaela, o povo do campo é que tem condição de dar resposta a uma série de crises que está na sociedade. “A crise alimentar, a ambiental, a de geração de trabalho, de renda; os camponeses seguem com grandes tarefas históricas para cumprir e por isso, nós, mais uma vez, estamos na Capital marchando e unidos nesse processo”, enfatiza Rafaela.

Lucivânio de Aragão, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Sergipe (Fetase), falou da importância de juntar forças para ter um campo mais forte e unitário. “O 25 de julho, é um dia muito importante para a classe trabalhadora rural de todo Brasil, em especial de Sergipe. É um momento de unidade de todos os movimentos do campo. Estamos aqui fazendo uma grande marcha, lutando em defesa da agricultura familiar camponesa e em direito de toda a classe trabalhadora”, falou o presidente da Fetase.

Roberto Silva dos Santos, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Sergipe, falou de desmontes na agricultura. “A gente entende a importância dessa marcha e, em 2022, mais do que nunca, diante do desmonte da agricultura familiar, das políticas públicas, que a gente vem vivendo no pós-golpe. O governo Temer e Bolsonaro destruíram as políticas de segurança alimentar, de fortalecimento da agricultura familiar no campo. A marcha tem o objetivo de reafirmação da necessidade de uma política de estado para a agricultura familiar. A gente, enquanto Central Única dos Trabalhadores, só tem a parabenizar todo movimento campesino por essa construção que é de extrema importância, tanto pro campo, quanto pra cidade”, disse Roberto.

Mauro Cibulski, militante e voluntário da Cáritas, contou da participação na construção do Plano e também criticou o Governo Federal. “A Cáritas de Propriá e o Regional Nordeste 3 se somou na construção do plano devida a grande importância de reconstruir uma agricultura que hoje se encontra destruída. Tanto por parte do Governo do Estado, quanto pelo governo genocida Bolsonaro. A Cáritas tem uma atuação em diversas comunidades, em todos os movimentos sociais do campo e há uma angústia de não ter recursos para o campo, de não estar no orçamento nem do Estado. Tem o fim das políticas públicas a nível nacional e há muita dificuldade na produção de alimentos. Foi um processo bonito de construção nas 5 regiões do estado e hoje essa marcha é um somatório de uma construção coletiva dos movimentos do campo e dos apoiadores. Como o mandato de João Daniel que esteve junto e continua junto”. Cibulski disse ainda que o documento será uma ferramenta de cobrança para políticos e pré-candidatos que estiveram na marcha.

No final do ato, o documento foi entregue ao pré-candidato ao Governo de Sergipe, o senador Rogério Carvalho (PT-SE). Segundo as lideranças da marcha, outros pré-candidatos ao governo foram convidados a participar do ato, mas somente Rogério compareceu.

O deputado João Daniel fez uma análise da marcha. “Muito importante retomar depois da pandemia um grande ato unificado de todos os movimentos do campo, o Movimento Sem Terra, Fetase, MCP, MPA, comunidades quilombolas, a participação da CUT, CTB e sindicatos importantes como o Sintese. É valoroso ver gente do estado inteiro reunido caminhando, entregando um documento que foi construído em todas as regiões do Estado de Sergipe para nosso pré-candidato ao governo Rogério Carvalho. E, nós, recebendo esse calor e apoio de todos os movimentos que querem construir um grande projeto para Sergipe e para o Brasil sobre a liderança dos movimentos, da participação popular. E, também, para ajudar a eleger o presidente Lula, ajudar a eleger Rogério, ter uma bancada comprometida, os movimentos fortes e firmes determinando as políticas públicas para Sergipe e o Brasil”, finalizou João Daniel.

 

Ascom João Daniel

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