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MST 40 ANOS E NOSSA HISTÓRIA VIVIDA EM SERGIPE

 

Em 22 de janeiro de 1984, centenas de trabalhadores, representantes dos camponeses, de sindicatos rurais e movimentos sociais do campo, com o apoio da Pastoral da Terra da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, participaram do 1° Encontro Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, em Cascavel (PR), no final do qual foi criado o Movimento dos trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST, que veio tornar-se uma das mais importantes organizações sociais do País, atualmente com representações em vários países e com o reconhecimento internacional de uma entidade que trabalha na luta por justiça no campo e pela solidariedade entre os povos.

A partir daquele memorável encontro, o grupo de Sem-terra foi só crescendo, se desenvolvendo e se qualificando, sendo hoje um dos maiores movimentos sociais do mundo, com mais de 400 mil famílias assentadas pelo Brasil afora, com sua marca da luta pela terra, pela reforma agrária e pelas transformações sociais.

Nesses anos, a solidariedade é um princípio e valor humano fundamental, cultivada permanentemente pelo MST, que se manifesta junto à classe trabalhadora, às lutas populares e nas diferentes formas de organização coletiva.

A alfabetização e formação de seus membros, a educação política e ações que saem do campo específico de sua atuação para promover doação de alimentos e assistência às populações vítimas da fome, das guerras e calamidades.

Uma atuação que tem uma dimensão internacionalista com as diversas brigadas espalhadas em diversos países do mundo, quando militantes do MST doam anos da sua vida e da sua militância para apoiar e trabalhar junto à luta de outros povos do mundo.

Toda a produção ecológica do MST, apresentada em suas feiras e armazéns em todo o país, é resultado de um processo fundamental: a luta pela terra e a ocupação de latifúndios.

A luta é a forma de conseguir direitos da classe trabalhadora, e sem ela não é possível realizar as transformações sociais necessárias para um mundo mais justo, em um compromisso de produzir alimentos saudáveis a partir de suas diversas formas de organização, considerando sempre o papel social da terra e libertação das famílias assentadas, com a melhoria da renda e as condições de trabalho no campo.

São várias as histórias que se cruzam nessa luta e uma delas passa pelo nosso Estado de Sergipe, onde junto aos companheiros históricos do movimento, há 28 anos, fizemos a ocupação da Chesf, em 12 de março de 1996, com o apoio de setores da Igreja Católica, contestando o desemprego resultante do final das obras da Usina Hidrelétrica de Xingó.

Essa ocupação histórica envolveu 2.400 famílias, vindas do alto sertão sergipano, de Pernambuco, Alagoas e Bahia, sendo uma das maiores do MST e a maior de Sergipe.

Na época, chamamos a atenção de toda sociedade para a necessidade da reforma agrária e durante meses se passou por grandes dificuldades, resistindo às pressões políticas e a fome.

Após negociações, conseguimos que o Governo Federal, depois de oito meses, desapropriasse a Fazenda Cuiabá, assentando 200 famílias, na maior conquista obtida pelos trabalhadores e trabalhadoras da época.

A história de luta desses em Sergipe foi escrita e contém páginas importantes na história do MST nacional, que traz em sua bandeira uma luta pela igualdade, pela dignidade do trabalhador e trabalhadora do campo.

Nesses quarenta anos e hoje, com um Governo que ajudamos a construir, a nossa perspectiva é de que a reforma agrária popular passe a ser uma prioridade política, única forma dr trazer a paz para o campo.

 

João Daniel
Deputado Federal pelo Partido dos Trabalhadores em Sergipe
Presidente do Partido dos Trabalhadores em Sergipe

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